domingo, 25 de janeiro de 2009

Coraline e o Mundo Secreto (Neil Gaiman)

Já que a versão de "Coraline", livro de Neil Gaiman, só chega aos cinemas em fevereiro de2009, o site IGN divulgou dois vídeos de making of da produção que conta com direção de Henry Selick (de "O Estranho Mundo de Jack"). A animação tem Dakota Fanning emprestando a voz para a protagonista.

Nos vídeos, Gaiman revela que enviou uma cópia da história para Selick oito meses antes de a trama ser impressa, porque já idealizava que o diretor seria a melhor pessoa para transpor sua obra para o cinema. Selick também mostra grande admiração pelo autor, assim como John Hodgman, que fará a voz do pai da protagonista.

Como o filme está em pós-produção, as imagens ainda devem sofrer alterações.
Na trama, Coraline é uma garotinha que num dia aborrecido descobre em sua casa uma porta secreta que se abre para uma realidade alternativa em que há uma versão de sua própria vida, aparentemente, muito melhor do que a que possui. Viver nesse mundo é uma diversão para a menina, até que sua Outra Mãe e seu Outro Pai (que possuem botões no lugar dos olhos) decidem mantê-la ali para sempre. O elenco também terá Teri Hatcher e Jennifer Saunders.

Beetlejuice


Beetlejuice é um filme de comédia feito pelo diretor Tim Burton em 1988, estrelando Michael Keaton, Alec Baldwin, Geena Davis e Winona Ryder. A história segue um casal recém-falecido que contrata um bio-exorcista, Beetlejuice, para expulsar os yuppies que são novos proprietários de sua casa na Nova Inglaterra. O filme fez muito sucesso, levando a uma série de desenhos animados para TV.

Sinopse
Adam Maitland (Alec Baldwin) e sua esposa Barbara (Geena Davis) são um casal residindo em Winter River, Connecticut. O casal decide entrar de férias, mas no caminho tem um acidente de carro e caem no rio. Quando voltam para casa, não se lembram de como voltaram -- e quando Adam tenta traçar o caminho de volta para ponte encontra um deserto com minhocas gigantescas. Voltando para casa, os Maitland descobrem um livro intitulado Manual para os recém-falecidos, fazendo-os perceberem que morreram.

Logo o casal descobre que a irmã de Barbara vendeu a casa para os Deetz, uma família de yuppies de Nova York. A família é constituída do empresário Charles (Jeffrey Jones), sua esposa escultura Delia (Catherine O'Hara) e Lydia (Winona Ryder), a filha adolescente e gótica. Adam e Barbara decidem expulsar os Deetzes, mas como não podem ser vistos pelos vivos não surtem efeito. Decidem então ir para o mundo dos mortos atrás de ajuda, e descobrem ser um local marcado por burocracia, com uma enorme sala de espera. Após pegarem uma senha e serem chamados, são informados que tem de passar 125 anos em sua casa, e recebem um livro para aprender a assombrar. Após tentativas frustradas (que só fazem Lydia percebê-los), decidem pedir ajuda ao fantasma especializado em "exorcizar vivos" Betelgeuse/Beetlejuice (Michael Keaton).



Série animada
Em 1989, um desenho animado produzido pela francesa Ellipse Programmé e a canadense Nelvana estreou, durando quatro temporadas até 1991. Nela, o mundo dos mortos passa a ser uma versão amalucada do mundo real chamado "Lugar Nenhum". No Brasil, o protagonista fora dublado por Nilton Valério (que também fizera Michael Keaton no filme) e Isaac Schneider.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Beetlejuice

sábado, 24 de janeiro de 2009

O homem que dorme em livrarias


Escritor canadense, que lançou livro nos EUA e no Reino Unido sobre os cinco meses em que “morou” na Shakespeare and Company, em Paris, repete a experiência em outras lojas

RAFAEL CARIELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

O jornalista e escritor canadense Jeremy Mercer, 35, arrumou um jeito novo de ganhar a vida. Anda pelo mundo dormindo em livrarias, escrevendo sobre a experiência e promovendo suas obras com novos “tours” por entre estantes de livros. Ele vem fazendo sucesso nos cadernos literários dos EUA e da Inglaterra com um livrinho simpático sobre os cinco meses em que morou na mais famosa livraria do mundo, a Shakespeare and Company, de Paris. Agora prepara um novo livro enquanto dorme em outra delas, a Atlantis, na ilha grega de Santorini.
A motivação para o périplo, além do marketing, lembra a do personagem do filme “Amarcord”, de Fellini. Durante um passeio de carro da família pelo campo, o tio demente desaparece. Procura de lá, procura de cá, encontram-no no alto da única árvore do descampado mediterrâneo. Vários “desce-daí-não-desço” depois, resolvem negociar com o aflito -e perguntar o que afinal lhe atormenta. “Eu quero uma mulher”, ele grita, balançando os galhos.
O livro que relata a vida de Mercer na Shakespeare and Co. foi lançado nos EUA no ano passado, com o autor percorrendo 23 livrarias em 44 dias. Chama-se “Time Was Soft There” (em tradução literal, “o tempo era macio por lá”). O título da versão britânica é “Books, Baguettes & Bedbugs” (livros, baguetes e percevejos). Recebeu elogios de jornais como o “Guardian” e o “Independent”.
A história começa em 1999, no Canadá. O escritor, que trabalhava na época como repórter policial para o jornal “Ottawa Citizen”, vinha de lançar um livro sobre os principais bandidos do país. “Acabei me envolvendo numa confusão com um sujeito em particular, especialista em assaltar cofres”, diz. “Ele pediu para eu não citar o seu nome no livro -e não o fiz no capítulo que tratava especificamente de seus assaltos. Mas, num capítulo final, em que dizia porque tinha escrito o livro, e no qual descrevia muitos dos criminosos como boas pessoas, registrei o seu nome.”“Ele ficou bastante chateado, me ameaçou e invadiu o meu apartamento. Foi aí que me dei conta de que era um bom momento para ir embora”, diz.

Paris
Com US$ 3.000 no bolso, Mercer partiu para Paris. Um dia, com o dinheiro acabando, aceitou um convite da balconista da livraria Shakespeare & Co. para uma xícara de chá. Descobriu que poderia dormir de graça entre as estantes em troca de pequenos serviços diários e do compromisso de ler pelo menos um livro por dia.“Li mais do que havia feito em toda a minha vida. Antes trabalhava como jornalista -com uma carga de 60 ou 70 horas por semana. Podia me considerar um felizardo se desse conta de dois ou três livros num mês.”A estadia de “malucos” de todos os tipos -como os descreve o próprio Mercer- na livraria é incentivada pelo dono da loja, George Whitman. Muitos ajeitam seus sacos de dormir entre as estantes e são acordados pelos primeiros clientes da manhã.
A experiência do canadense, muito mais do que literária, durou de janeiro a maio de 2000, e está no livro. Mas a história não acaba aí, pois no fundo o que Mercer quer, enquanto lê e escreve, é o mesmo que o tio da família italiana de Fellini.Questionado até quando pretende continuar nessa vida, lembra da mais recente namorada. “Meu último amor ficou em Marselha. Devo continuar na estrada, viajando por aí, escrevendo novos livros, até me apaixonar de novo.”Depois embaralha tudo, falando sobre a outra paixão. “Livrarias são como namoradas. Você sempre gosta mais daquela com que você está agora”, ele diz, ao descrever a Atlantis, para ele a melhor livraria do mundo, uma empreitada de um coletivo de artistas europeus na Grécia.
“O que eu gosto nas livrarias é a sensação de comunidade que nelas encontro. Gosto dessa idéia de que, ao entrar numa delas, é como se você entrasse numa família excêntrica.” É do abrigo de sua nova “família” na Grécia -onde fica até setembro- que Mercer conta, pelo telefone, a história da sua desilusão amorosa.
O escritor conheceu Julie durante uma rodada de leitura de poesias num bar de Paris, em 2003. “Ela era uma das poucas pessoas ali que entendiam inglês. E tinha esses olhos enormes.” Seguiu a moça, uma pintora, até Marselha, no sul da França.
Daí, mais livros. “Ela conhecia tudo de literatura francesa, e me apresentou a novos autores.” Mas, como costuma acontecer, o romance acabou. “Ela odiava o fato de eu estar sempre pobre, sem dinheiro. E também não gostava que eu gastasse meu tempo… Bem, ela precisava de mais estabilidade”, ele explica. “Mas talvez o grande problema mesmo é que ela é de câncer, e eu sou de aquário”, brinca. “Preciso de uma menina de gêmeos, você conhece?”
Fonte: Folha de S.Paulo - O homem que dorme em livrarias - 23/02/2006

A História de Sadako



Depois da destruição de Hiroshima em 1945, muitas doenças surgiram entre os sobreviventes. Uma das vítimas Sadako Sassaki, com dois anos no dia da explosão, começou a sentir os efeitos da Bomba Atômica aos 12 anos; seu diagnóstico: Leucemia. Quando Sadako estava no hospital, um amigo trouxe-lhe alguns papéis coloridos e dobrou um pássaro (TSURU). Disse que esse pássaro é sagrado no Japão, vive mil anos e tem o poder de conceder desejos. Se uma pessoa dobrar mil Tsurus e fizer seu pedido a cada um deles, seu pedido será atendido. Sadako começou então a dobrar Tsurus e pedir para sarar, porém sua enfermidade se agravava a cada dia. Sadako então desejou pedir para a Paz Mundial. Sadako dobrou 964 Tsurus até 25/10/1955, quando morreu. Seus amigos dobraram os Tsurus restantes a tempo para seu enterro. Mas eles queriam mais, desejaram pedir pôr todas as crianças que estavam morrendo em conseqüência da explosão da Bomba Atômica. Então formaram um clube e começaram a pedir dinheiro para um monumento.
Estudantes de mais de 3.000 escolas no Japão e de 9 outros países contribuíram, e em 5 de maio de 1958, o Monumento da Paz das Crianças foi inaugurado no parque da Paz de Hiroshima. Todos os anos no Dia da Paz (06/08) pessoas do mundo inteiro enviam Tsurus de papel para o Parque. As crianças desejam espalhar ao mundo a mensagem esculpida à base do monumento de Sadako:
Este é nosso Grito
Esta é nossa oração: Paz no mundo
Sadako onde estiver saiba que sua mensagem está sendo conhecida no mundo todo esperamos que seja também cumprida.
Simbologia do TSURU (Grou)


A figura do Tsuru em Origami é uma das mais populares. A sua forma básica serve de base para outras figuras de papel, desde animais até plantas. Antigamente costumava-se pendurar estas aves de papel, no teto, para distrair as crianças, especialmente os bebês. Eram oferecidas também nos templos e altares, juntamente com as orações, para pedir proteção. Acredita-se que originalmente elas tinham apenas a função decorativa, e só mais tarde foram associadas às orações. Atualmente, nas festas de Ano Novo, casamento, nascimento e em comemorações festivas em geral, a figura do Grou está presente nos enfeites ou nas embalagens de presentes, simbolizando saúde e fortuna. Costuma-se dizer que esta ave é o símbolo da longevidade. Quando uma pessoa se encontra hospitalizada, oferece-se mil dobraduras de Grou para que ela se restabeleça o quanto antes. Ao dobrar cada figura, a pessoa deposita nela toda a fé e esperança na recuperação do doente. Nos monumentos a Paz em Hiroshima, onde caiu a bomba atômica há vários conjuntos de mil Grous, vindos de todas as partes do Japão. São feitos por alunos de escolas, associações, enfim por um grupo de pessoas que se uniram para pedir uma coisa: Paz. Para a confecção destas mil aves é preciso união, esforço e fé de muitas pessoas formando-se assim uma corrente de pensamento positivo.
Saiba mais: www.sadako.org

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Diário de um Banana (Jeff Kinney)

Ultrapassar a vendagem de grandes best-sellers, como "Harry Potter" e "A Menina que Roubava Livros", é um resultado para poucas obras literárias. Para os quadrinhos, então, é algo quase inatingível. No entanto, como a lógica nem sempre se consagra como "dona da razão", o diferente e, de certo modo, inovador "Diário de um Banana", de Jeff Kinney, realizou tal façanha, figurando por um ano na lista dos mais vendidos do New York Times.
Numa mistura entre texto e desenhos, fugindo do padrão convencional da literatura e dos quadrinhos, a obra narra os conflitos, angústias, desejos e atitudes de Greg Heffley, um herói às avessas, vivendo o turbulento período da adolescência e a dificuldade de convivência com os colegas da sexta série do ensino fundamental.

A principal inovação do livro está na forma de diagramação escolhida. O trabalho é efetivamente um diário, com o design seguindo perfeitamente as linhas, em uma fonte que lembra a manuscrita. Para completar, há uma série de desenhos divertidos e, principalmente, debochados, que ora completam, ora incrementam a narrativa.
Ao contrário dos heróis costumeiros dos quadrinhos que apresentam um comportamento padrão, com leves desvios de caráter, a personalidade do ícone da história é diferente. Greg, 12 anos, é revoltado, busca, de todas as formas, alcançar a fama na escola e o sucesso com as mulheres sem preocupações "éticas". Afinal de contas, ele não passa de um adolescente comum.
Relapso na escola e com uma conturbada relação com a família, Greg adora provocar o irmão mais velho – ou repetir suas inconveniências – e transformar suas atitudes em atos heróicos para Manny, o irmão mais novo. Por essa razão, a construção do conceito de família é bastante falha.
Apesar do humor extremamente infantil – que dá o verdadeiro tom de O Diário de um Banana -, em alguns momentos, a obra pode ser entendida por um viés mais maduro, como a legítima representação das idéias de um adolescente. Não se surpreendam se, dentro de alguns anos, a produção se transformar em filme. A 20th Century Fox já adquiriu os direitos da obra.
Fonte: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?id=775230

A Menina que Roubava Livros (Markus Zusak)

Morte e Chocolate

Primeiro, as cores.
Depois, os humanos.
Em geral, é assim que vejo as coisas.
Ou, pelo menos, é o que tento.

EIS UM PEQUENO FATO
Você vai morrer.
Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.
reação ao fato supracitado
Isso preocupa você?
Insisto — não tenha medo.
Sou tudo, menos injusta.
— É claro, uma apresentação.
Um começo.
Onde estão meus bons modos?
Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo, eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente.
Nesse momento, você estará deitado(a). (Raras vezes encontro pessoas de pé.) Estará solidificado(a) em seu corpo. Talvez haja uma descoberta; um grito pingará pelo ar. O único som que ouvirei depois disso será minha própria respiração, além do som do cheiro de meus passos.
A pergunta é: qual será a cor de tudo nesse momento em que eu chegar para buscar você? Que dirá o céu?
Pessoalmente, gosto do céu cor de chocolate. Chocolate escuro, bem escuro. As pessoas dizem que ele condiz comigo. Mas procuro gostar de todas as cores que vejo — o espectro inteiro. Um bilhão de sabores, mais ou menos, nenhum deles exatamente igual, e um céu para chupar devagarinho. Tira a contundência da tensão. Ajuda-me a relaxar.
uma pequena teoria
As pessoas só observam as cores do dia
no começo e no fim,
mas, para mim, está muito claro que o
dia se funde através de
uma multidão de matizes e entonações,
a cada momento que passa.
Uma só hora pode consistir em milhares
de cores diferentes.
Amarelos céreos, azuis borrifados de
nuvens. Escuridões enevoadas.
No meu ramo de atividade, faço questão
de notá-los.
Já que aludi a ele, o único dom que me salva é a distração. Ela preserva minha sanidade. Ajuda-me a agüentar, considerando-se há quanto tempo venho executando este trabalho. O problema é: quem poderia me substituir? Quem tomaria meu lugar, enquanto eu tiro uma folga em seus destinos-padrão de férias, no estilo resort, seja ele tropical, seja da variedade estação de inverno? A resposta, é claro, é ninguém, o que me instigou a tomar uma decisão consciente e deliberada — fazer da distração minhas férias. Nem preciso dizer que tiro férias à prestação.
Em cores.
Mesmo assim, é possível que você pergunte: por que é mesmo que ela precisa de férias? De que precisa se distrair?
O que me traz à minha colocação seguinte.
São os humanos que sobram.
Os sobreviventes.
É para eles que não suporto olhar, embora ainda falhe em muitas ocasiões. Procuro deliberadamente as cores para tirá-los da cabeça, mas, vez por outra, sou testemunha dos que ficam para trás, desintegrando-se no quebra-cabeça do reconhecimento, do desespero e da surpresa. Eles têm corações vazados. Têm pulmões esgotados.
O que, por sua vez, me traz ao assunto de que lhe estou falando esta noite, ou esta manhã, ou seja lá quais forem a hora e a cor. É a história de um desses sobreviventes perpétuos — uma especialista em ser deixada para trás.
É só uma pequena história, na verdade, sobre, entre outras coisas:
* Uma menina
* Algumas palavras
* Um acordeonista
* Uns alemães fanáticos
* Um lutador judeu
* E uma porção de roubos
Vi três vezes a menina que roubava livros.

EU TENHO UM SONHO (Martin Luther King)




"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.

Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,

De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal.

Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."


Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)



Solo Le Pido A Dios (León Gieco)



Sólo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente,
que la reseca muerte no me encuentre
vacío y solo sin haber hecho lo suficiente.

Sólo le pido a Dios
que lo injusto no me sea indiferente,
que no me abofeteen la otra mejilla
después que una garra me arañó esta suerte.

Sólo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente,
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.

Sólo le pido a Dios
que el engaño no me sea indiferente
si un traidor puede más que unos cuantos,
que esos cuantos no lo olviden fácilmente.

Sólo le pido a Dios
que el futuro no me sea indiferente,
desahuciado está el que tiene que marchar
a vivir una cultura diferente.

Sólo le pido a Dios es quizás la canción más famosa del cantautor argentino León Gieco y la que le dio fama a nivel internacional. Fue editada por primera vez en el álbum "IV LP" en el año 1978 y desde entonces ha sido interpretada por diversos artistas tanto de la Argentina como del mundo. Existen incluso una versión cantada en inglés (I only ask for god) por el grupo Outlandish, que salió en el año 2008 en el disco "Gieco Querido! (Cantando Al León)", un álbum en homenaje al cantor argentino de folk/rock. La lista de intérpretes que han grabado este mismo tema varía desde Mercedes Sosa, Víctor Heredia, Javiera Parra, Luciano Pereyra, etc. Hay también una versión grabada en vivo en el B.A. Rock por Raúl Porchetto, Piero y el mismo León Gieco. Incluso existe una versión en cumbia villera interpretada por el grupo Pibes Chorros.

Historia de la canción

León Gieco compuso este tema en el pueblo donde vivió su infancia: Cañada Rosquín, una pequeña ciudad al norte de Santa Fe, al lado de su padre quién le dijo que sería una canción "mundialmente reconocida", algo que realmente sucedió. Gieco no estaba muy convencido de incluir este tema en el disco IV LP, que lo encontraba "aburrido y monótono", pero finalmente siguió el consejo de Charly García, y a partir de ese entonces, León lo canta para cerrar sus shows y lo ha interpretado en todas sus giras tanto nacionales como internacionales.
Fonte: http://es.wikipedia.org/wiki/Solo_le_pido_a_Dios

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Movimento Slow Life: Felicidade acima da Eficiência Econômica

O "Movimento Slow Food" surgiu na Itália, e difundiu-se no Japão, uma sociedade que sofre os efeitos de uma rápida expansão econômica seguida de uma recessão. Os japoneses começaram a questionar-se sobre o que lhes é significativo. É cada vez maior o número de pessoas que preferem uma vida calma e feliz a uma vida baseada em competição, eficiência econômica e rapidez, e essa percepção está fortalecendo o Movimento ""Slow Life" no Japão. O Ministério do Meio Ambiente do Japão mencionou o termo "Slow Life" pela primeira vez na edição 2003 do seu Relatório Oficial Ambiental, indicando que o movimento está crescendo.
Esta tendência é um passo no sentido de criar uma sociedade sustentável, passando de uma era de produção e consumo em massa, e também de descarte em massa. Alguns observadores acharão difícil acreditar que um movimento desse tipo esteja acontecendo no Japão, que é visto como um país corporativo. Mas podemos ter uma noção das possibilidades futuras observando o caso da Prefeitura da cidade de Kakegawa, província de Shizuoka, com seus notáveis e pioneiros esforços. Em 1979, Kakegawa foi a primeira cidade no Japão a adotar uma "Declaração Municipal de Aprendizado Vitalício", promovendo ativamente o desenvolvimento dos recursos humanos e comunitários através de um aprendizado ao longo de toda a vida. Esses vinte anos de experiência e esforço culminaram com a criação de uma nova visão apropriadamente chamada "Slow Life". O Prefeito Junichi Shinmura foi reeleito após apoiar a Slow Life na sua campanha política das últimas eleições municipais. Podemos ter uma visão mais clara dessa visão através da leitura do excerto a seguir, da "Declaração Slow Life" adotada pela cidade de Kakegawa em 2002:
" No final do Século XX, o Japão valorizava e buscava um estilo de vida "rápido, barato, conveniente e eficiente", que proporcionasse prosperidade econômica. Porém, esse estilo também causou problemas tais como a desumanização, doenças sociais e poluição ambiental. Desejamos avançar no conceito de Slow Life, para alcançar estilos de vida " calmos, relaxados e confortáveis, e passar de uma sociedade de produção e consumo em massa para uma sociedade que não agitada, mas que valoriza os bens e valores do coração.
A vida humana dura aproximadamente 700.800 horas (considerando uma expectativa média de vida de 80 anos). Desse tempo, dedicamos algo como 70.000 horas trabalhando (considerando 40 anos de trabalho). As 630.000 horas remanescentes são utilizadas em outras atividades, tais como alimentar-se, estudo e lazer, incluindo 230.000 horas dormindo. Até agora, as pessoas usualmente focam suas vidas nessas 70.000 horas dedicadas ao trabalho, devotando suas vidas aos seus empregos, Todavia, com o Movimento Slow Life, devemos agora dedicar mais atenção às 630.000 horas em que estamos fora de nossos trabalhos, a fim de atingir verdadeira felicidade e paz mental.
A prática da Slow Life envolve os seguintes oito temas:
- Slow Pace (Passos) - Nós valorizamos a cultura do caminhar, para ficar em forma e reduzir acidentes de trânsito.
- Slow Wear (Vestir) - Respeitamos e apreciamos nossos belas roupas tradicionais, incluindo os tecidos fiados e coloridos artesanalmente, os kimonos e pijamas (yukatas) japoneses.
- Slow Food (Alimentos) - Apreciamos a cultura gastronômica japonesa, tais como os pratos típicos e a Cerimônia do Chá, e ingredientes locais saudáveis.
- Slow House (Habitações) - Respeitamos as casas construídas em madeira, bambu e papel, que subsistem há mais de cem ou duzentos anos, caracterizando-se por técnicas com ênfase na durabilidade e, ao final, em conservar o ambiente natural.
- Slow Industry (Produção) - Cuidamos de nossas florestas, através de nossas formas de agricultura e indústrias, com emprendimentos sustentáveis que utilizam mão-de-obra humana, e também difundindo lavouras urbanas e turismo ecológico.
-Slow Education (Educação) - Dedicamos menos atenção às conquistas acadêmicas, e criamos uma sociedade na qual as pessoas podem apreciar as artes, os hobbies e os esportes no decurso de suas vidas, e onde todas as gerações podem comunicar-se bem umas com as outras.
- Slow Aging (Envelhecer) - Aspiramos envelhecer com graça e auto-confiança, ao longo de toda a vida.
- Slow Life (Vida) - Baseados na filosofia de vida declarada acima, vivemos nossas vidas com a natureza e as estações, poupando nossos recursos e energia."

Fonte: Compilação a partir de material do Treinamento "Simplicity and Social Change"Schumacher College (Inglaterra)Tradução e organização: Jorge Mello, mediante autorização do Prof. John de Graaf

domingo, 18 de janeiro de 2009

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

domingo, 11 de janeiro de 2009

NORMOSE - Uma doença chamada "normalidade"

O mundo "normal" nos atrai. Enquanto atrai nos distrai. E porque nos distrai nos trai. Se nos deixamos trair, ele nos destrói. É hora de despertar! A "normóse", ao lado da psicose e da neurose, é a doença que torna medíocres os seres humanos, conduzindo uma vida sem meta, sem fulgor, sem paz, sem significado, sem vigor, sem criatividade, sem felicidade, sem aquilo que em verdade poderíamos chamar euforia. Um "normótico" é o tipo engendrado pela coletividade, por ela condicionado, e dela dependente. É o tipo tido por "normal" na sociedade em que vivemos. "Normótico" é o "mesmificado", que, sempre buscando ajustar-se ao coletivo, perde sua identidade, e faz todas as concessões aderindo à dança dos modismos que se sucedem. É subserviente à moda, e, sem a mínima possibilidade de optar e discordar adota as mesmas idéias, entroniza os mesmos valores, segue os mesmos líderes, consome os mesmos produtos, usa as mesmas vestimentas... É um robô acionado pela batuta do marketing. Inconsciente da importância do viver livre e autentico, está perdido de si mesmo, deixando-se ser arrastado pela pressão da cultura de sua época. Ele é infeliz, mas não sabe. As coisas, os prazeres e as pessoas que consegue comprar oferecem-lhe efêmera felicidade embusteira, com a qual, a princípio iludido, se entretém. Ele é frágil e inseguro, mas disto não se apercebe, pois os "bens" e o status que conquista, embora transitórios e fúteis, alimentam-no com a ilusão de serem perenes, de nunca virem a faltar. Ele é um doente, mas ignora. Para ele, doença é algo que, temporariamente, o retira de sua "normalidade", mas que a medicina, subserviente, virá em seu socorro para vencê-la. Estar e ser doente são conceitos que escapam à imaturidade mental dos "normóticos". Conceito de saúde é coisa bastante inacessível aos avoados homens normais. Adiante vamos propor um conceito avançado e verdadeiro de saúde.
Fonte: http://www.unipazsp.org.br/BibliotecaVirtual/NORMOSEEEGOSCLEROSE.doc
Saiba mais:
http://www.ekadantayoga.com.br/266/deus_livre_normal.html

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Mito da caverna

Para quem não conhece o mito da caverna, de Platão, vou contá-lo, resumidamente, para que o leitor possa acompanhar meu pensamento.
Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Acorrentados pelas pernas e pelo pescoço, estão impedidos de olhar para trás e para os lados, e tampouco podem se mexer. Só podem olhar para um ângulo, a frente. À porta da caverna há uma imensa e alta fogueira, que permite que se enxergue, lá dentro, alguma coisa.
Entre a fogueira e os prisioneiros, lá fora, há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, semelhante ao que se usa nos teatros de marionetes e fantoches. Ao longo dessa mureta, homens passam carregando estatuetas de todo tipo, com formas de seres humanos, animais e outras.
A localização da fogueira proporciona uma projeção das sombras dessas estatuetas sobre uma parede no fundo da caverna.
Os prisioneiros não sabem que existem esses homens, nem as estatuetas. O que vêem são as sombras. Como jamais viram outra coisa, eles não sabem que se trata de sombras de coisas que homens estão segurando. Também não sabem que aquela luminosidade vem da fogueira e que existe uma outra intensidade de luz. O que sabem é o que vêem, só. Sua imaginação se restringe, também, ao que eles sabem.
Platão, em suas considerações filosóficas, pergunta o que aconteceria se algum prisioneiro fosse libertado e pudesse sair da caverna. A possibilidade de se mexer, sem as correntes, de estar exposto à claridade, de enxergar os objetos em si e outros seres humanos, lhe traria um confronto com a realidade das coisas. Ele ficaria sabendo que o que via eram sombras de objetos, projetadas por uma fogueira, e não as coisas em si.
Platão ainda indaga sobre o aconteceria a esse homem, agora sabedor da realidade, se retornasse à caverna e contasse aos outros prisioneiros tudo o que viu.
Várias são as reflexões possíveis sobre o mito da caverna. Para quem desejar se aprofundar, procure A República, de Platão, mais especificamente a passagem A Alegoria, onde a idéia é mostrar o percurso do prisioneiro até transformar-se no sábio, no filósofo.
Situações de confinamento, de vendar os olhos, de restringir nossa liberdade, sempre nos atraíram, mais a uns do que a outros, pela possibilidade de conhecermos emoções e reações que só aparecem nessas condições. Nelas, nossa capacidade de percepção das coisas fica reduzida, sem que tenhamos responsabilidade sobre isso. Não suportamos muita claridade, porque ela, muitas vezes, nos cega. Imaginemos que pudéssemos enxergar tudo à nossa volta. Teríamos mente suficiente para elaborar e digerir tudo que veríamos? Certamente não.
O mito da caverna nos é útil, sob vários aspectos, para ilustrar o processo de desenvolvimento da mente e capacidade de relação com o mundo que decorre desse processo.
Quando nascemos, somos seres completamente iludidos. Enquanto somos bebês, estamos de certa forma confinados na caverna materna, crentes de que somos os únicos seres importantes que existem. Porque não conhecemos o que está à nossa volta e tampouco a metros ou quilômetros de distância, imaginamos um mundo que se resume à nossa existência. Não enxergamos um palmo adiante do nosso nariz. E precisamos acreditar, piamente, nessa ilusão de que somos poderosos e exclusivos, retendo o sentido da vida em torno de nós, para criarmos força e confiança para crescer. Tais quais os prisioneiros da caverna, estamos aprisionados pelo desejo e pela ilusão de sermos, mãe e filho, um só. O que enxergamos à nossa volta, portanto, são sombras que nos refletem.
Conforme vamos crescendo, nossa capacidade de percepção está mais desenvolvida e expandida, de modo que vamos percebendo, gradativamente, que as pessoas e as coisas não são bem aquilo que imaginávamos. Essa capacidade depende, em grande medida, de outra, que é a da tolerância. Conforme conseguimos tolerar a idéia de que aquilo que está à nossa volta, na maioria das vezes, pode ser muito diferente do que imaginamos ou esperamos que seja, teremos mais condições de expansão, de desenvolvimento e de abertura. Estaremos assim ─ lembrando a metáfora da caverna ─ caminhando em direção à saída, tornando-nos menos aprisionados nela. Em outras palavras, estaremos menos iludidos, e menos onipotentes também. Agora, se não suportamos pensar que existem muito mais coisas além da nossa existência e daquilo que imaginamos, então ficamos enfurnados dentro da caverna materna (ou de Platão), com uma visão, digamos, pequena e parcial sobre a vida. É como se nos iludíssemos com as sombras das coisas, acreditando que elas representam verdadeiramente a realidade.
Existem ditados populares que expressam bem as dificuldades dessa situação: "A verdade dói" ou "O que os olhos não vêem o coração não sente". É para escapar do sofrimento que, muitas vezes, não queremos enxergar a realidade ou saber sobre a verdade das coisas. Preferimos, nesses casos, ficar cegos a ter que enxergar aquilo que fere nossas ilusões. O sofrimento decorre da constatação de que não somos onipotentes. Isso exige de nós um grande trabalho mental, porque tendemos a escorregar desse ponto para um outro ─ extremo ─ onde passamos a nos sentir inferiores e humilhados. De poderosos a impotentes. Um trabalho de elaboração mental é importante para encontrarmos um lugar que não está nem em um extremo nem em outro, mas, sim, num lugar flexível onde reconhecemos ter capacidades e limitações. É o lugar do humano.
O crescimento, portanto, seguindo a analogia da caverna de Platão, seria um longo caminho, que todos nós percorremos e que começa no prisioneiro e termina no sábio. Estarmos mais, ou menos, presos às ilusões nos dá as medidas de nosso ajuste, que pode ser maior ou menor, à realidade da vida.



quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O Labirinto

Hugo Correia Pires de Almeida (também conhecido como Halden Beaumont) é um realizador (cineasta) português, nasceu em Santa Maria da Feira a 27 de Abril de 1980.

Aos 14 anos começou a interessar-se pela área artística, e foi com os Neptune Falls, uma banda de garagem, que começou a compor e a subir aos palcos. Em 2001 Lançou com os Neptune Falls o EP Free to Rise. No seu percurso também passou pelo teatro amador. Licenciou-se em Administração Pública e Autárquica, mas foi durante o curso, que descobriu a grande paixão, o mundo audiovisual. Realizou & Produziu o filme "Academia de Submissos", um documentário que aborda o mundo das praxes durante dois meses, que viria a tornar-se a primeira série documental na Internet em Portugal, e que provocou polémica pela forma como conseguiu filmar e mostrar o que se passava no interior destes rituais académicos. Tirou dois cursos do Observatório da Imprensa, onde aprofundou os seus conhecimentos na área, e o mestrado em comunicação e multimédia. Dos seus trabalhos destaca-se também o mini documentário "Os Templários em Almourol", que viria a ser distinguido pela multinacional Americana Divx Inc, como um dos trabalhos mais relevantes da sua comunidade de vídeo com milhões de utilizadores. Mas foi em 2007 que Hugo Almeida tornou-se conhecido como o primeiro realizador de Machinima em Second Life em Portugal. Em 2008 realizou e produziu o primeiro programa da televisão portuguesa utilizado técnicas de machinima, e totalmente filmado no Second Life, uma experiência que foi considerada pioneira no mundo inteiro. Destacam-se também outros trabalhos com maior impacto a nível internacional como Beyond Magic que recebeu o prémio de melhor filme de 2008 feito em Second Life, no Rezzable Machinima Festival. Foi também em 2008, que realizou a curta "O Labirinto" que viria a ser nomeado como melhor curta digital do ano no Festival Internacional de Cinema Festroia. Halden Beaumont (nome de avatar), é o nome pelo qual é conhecido a nível internacional e no Second Life.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hugo_de_Almeida

Vem aí o Google à medida

Vídeo sobre o SearchWiki


Com a ferramenta SearchWiki, a Google quer que os utilizadores personalizem as pesquisas. Segundo o motor de busca, vai ser possível ordenar, remover e adicionar resultados das pesquisas.«É um passo de gigante, no sentido de os utilizadores participarem muito na Internet», diz Cedric Dupont, gestor de produto da Google. A SearchWiki vai permite aceder às contas Google e escrever comentários junto aos resultados das pesquisas. Estas anotações serão mostradas em pesquisas futuras e disponibilizadas a todos os utilizadores que utilizem a SearchWiki.No rodapé das páginas, estará um link que mostra resultados que foram apagados, acrescentados ou reordenados, noticia a BBC. Os críticos da Google defendem que se trata de mais uma forma de “obrigar” os utilizadores a fazer login enquanto fazem pesquisas, de forma a que a empresa possa ficar com esses dados. Fonte: Exame Informática

The Big Blue / Le Grand Bleu (1988)

La película trata sobre la rivalidad y la amistad del campeón en la vida real Jacques Mayol (representado por Jean-Marc Barr) y Enzo Maiorca (renombrado en la película como "Enzo Molinari", y representado por Jean Reno). La acción está dividida en dos etapas la rivalidad naciente entre los dos buceadores como si fueran niños, y ya como adultos en el campeonato mundial que se celebra en la ciudad siciliana de Taormina. Mayol busca el amor, la familia, "la integridad" y el significado de vida y la muerte es una fuerte idea recurrente en la etapa final del filme.
Fonte: http://es.wikipedia.org/wiki/El_gran_azul


terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Le fabuleux destin d'Amélie Poulain / O Fabuloso destino de Amélie Poulain (2001)

Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, ou O fabuloso destino de Amélie Poulain (br/pt), é um filme francês dirigido por Jean-Pierre Jeunet em 2001.O filme conta a história de Amélie, uma menina que cresceu isolada das outras crianças. Isso porque seu pai achava que Amélie possuia uma anomalia no coração, já que este batia muito rápido durante os exames mensais que o pai fazia na menina. Na verdade, Amélie ficava nervosa com este raro contato físico com o pai. Por isso, e somente por isso, seu coração batia mais rápido que o normal. Seus pais, então, privaram Amélie de freqüentar escola e ter contato com outras crianças. Sua mãe, que era professora, foi quem a alfabetizou até falecer quando Amélie ainda era menina. Sua infância solitária e a morte prematura de sua mãe influenciaram fortemente o desenvolvimento de Amélie e a forma como ela se relacionava com as pessoas e com o mundo depois de adulta.Após sua maioridade, mudou-se do subúrbio para o bairro parisiense de Montmartre onde começou a trabalhar como garçonete. Certo dia, encontra no banheiro de seu apartamento uma caixinha com brinquedos e figurinhas pertencentes ao antigo morador do apartamento. Decide procurá-lo e entregar o pertence ao seu dono, Dominique, anonimamente. Ao notar que ele chora de alegria ao reaver o seu objeto, a moça fica impressionada e remodela sua visão do mundo. A partir de então, Amélie se engaja na realização de pequenos gestos a fim de ajudar e tornar mais felizes as pessoas ao seu redor. Ela ganha aí um novo sentido para sua existência. Em uma destas pequenas grandes ações ela encontra um homem por quem se apaixona à primeira vista. E então seu destino muda para sempre...

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9lie_Poulain

“O sol é para todos” é livro essencial, diz pesquisa








O livro O sol é para todos, escrito pela americana Harper Lee, foi escolhido na Grã-Bretanha como a obra que todo mundo deve ler antes de morrer. O livro, lançado em 1960, conta a história de um homem negro que é injustamente acusado de estupro de uma garota branca e foi levado para o cinema dois anos depois em um filme de grande sucesso estrelado por Gregory Peck. A escolha foi feita por bibliotecários britânicos para marcar o Dia Mundial do Livro. O Sol É para Todos deixou para trás a Bíblia e a trilogia O Senhor dos Anéis, de JR Tolkien. No livro, Harper Lee explora as relações raciais e de classe no sul dos Estados Unidos na década de 1930. A obra lhe valeu um Prêmio Pulitzer. Outros clássicos da literatura que foram bem votados incluem Jane Eyre, de Charlotte Brontë, 1984, de George Orwell, Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e Um Conto de Natal, de Charles Dickens. O Código Da Vinci, megabest-seller do americano Dan Brown, recebeu apenas um voto. Uma outra pesquisa, feita pela BBC, chegou à conclusão de que a leitura é considerada uma atividade importante por 79% dos britânicos, deixando para trás outras preferências nacionais, como assistir TV (considerada importante por 67%) e cuidar do jardim (49%). Mas 17% dos pesquisados disseram que não gostam de ler.

Fonte: BBC Brasil